Neste Dia das Crianças, que tal trocar alguns minutos de celular por uma boa história? Entenda os impactos do excesso de telas no desenvolvimento infantil e confira dicas para incentivar a leitura em família
Celular, tablet, televisão, videogame. As telas fazem parte da rotina das famílias e podem ser importantes ferramentas de informação, educação e entretenimento. Mas, quando ocupam tempo demais na infância, podem acabar tirando espaço de atividades essenciais para o desenvolvimento.
Neste Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, o convite é para uma reflexão: será que nossos filhos estão tendo tempo suficiente para brincar, conversar, imaginar, correr, criar e ler?
Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023 mostram a dimensão da presença digital entre crianças e adolescentes: 95% dos brasileiros de 9 a 17 anos já eram usuários de internet, o equivalente a 25,5 milhões de pessoas. O levantamento também apontou que 24% tiveram seu primeiro acesso à internet até os 6 anos e 63% até os 10 anos.
O problema não está simplesmente em usar tecnologia. A preocupação dos especialistas é principalmente com o excesso, o uso inadequado e o tempo que as telas substituem outras experiências fundamentais para a infância.
O que acontece quando a tela ocupa espaço demais?
A infância é uma fase de intenso desenvolvimento cerebral. É brincando, conversando, explorando o ambiente, ouvindo histórias e interagindo com outras pessoas que a criança desenvolve linguagem, atenção, criatividade, coordenação motora e habilidades sociais.
Uma revisão sistemática publicada em 2024, que analisou 18 estudos, encontrou associações entre exposição prolongada a telas nos primeiros anos de vida e prejuízos no desenvolvimento da linguagem e da comunicação.
Outra meta-análise, que reuniu 42 estudos e 18.905 participantes, encontrou associação entre maior quantidade de tempo de tela e menores habilidades de linguagem. Por outro lado, o uso de conteúdos educativos e, principalmente, o acompanhamento dos adultos durante a utilização das telas estiveram associados a melhores resultados de linguagem.
Ou seja: não é apenas a existência da tela que importa, mas quanto tempo, em que idade, com qual conteúdo e de que maneira ela é utilizada.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças de 1 ano não tenham exposição a telas sedentárias e que, aos 2 anos, esse tempo não ultrapasse uma hora por dia. Para crianças de 3 e 4 anos, a recomendação também é de, no máximo, uma hora diária, e menos é melhor. A entidade reforça ainda a importância do sono e da atividade física nessa fase.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também alerta para os riscos do uso excessivo das tecnologias e reforça a necessidade de acompanhamento dos pais e responsáveis. Em sua atualização de 2024, a entidade chama atenção para os impactos do ambiente digital sobre a saúde e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
E se a gente trocasse um pouco de tela por um livro?
Uma das maneiras mais simples de criar esse equilíbrio é resgatar o prazer da leitura.
Ler para uma criança não significa apenas ajudá-la a aprender novas palavras. Uma história compartilhada estimula a imaginação, amplia o vocabulário, favorece a concentração e, principalmente, cria um momento de interação entre adultos e crianças.
A própria OMS recomenda que, nos momentos em que a criança pequena estiver em atividades sedentárias, sejam priorizados momentos de leitura e contação de histórias com um cuidador.
Por isso, neste Dia das Crianças, vale experimentar algumas mudanças simples:
• Crie um momento diário de leitura: 15 ou 20 minutos já podem fazer diferença.
• Deixe a criança escolher: livros de aventura, animais, fantasia, histórias em quadrinhos ou assuntos pelos quais ela demonstra curiosidade.
• Leia junto: não precisa ser uma atividade solitária. Pergunte o que ela achou da história, peça para imaginar outro final ou descobrir o que acontecerá na próxima página.
• Estabeleça momentos sem celular: refeições, encontros familiares e o período antes de dormir podem ser boas oportunidades para deixar os aparelhos de lado.
• Dê o exemplo: crianças observam os adultos. Se os pais também reservarem momentos longe das telas, fica mais fácil construir novos hábitos.
• Transforme a leitura em passeio: biblioteca, livraria, contação de histórias e troca de livros podem se tornar programas especiais em família.
Para os pais que querem entender mais
Alguns livros podem ajudar pais e responsáveis a refletir sobre os impactos das telas e sobre o desenvolvimento infantil.
“A Fábrica de Cretinos Digitais – Os Perigos das Telas para Nossas Crianças”, do neurocientista francês Michel Desmurget, reúne pesquisas sobre os efeitos do consumo excessivo de dispositivos digitais e propõe uma reflexão sobre a relação das crianças com a tecnologia.
Outra possibilidade é buscar materiais produzidos pela Sociedade Brasileira de Pediatria, como o documento #Menos Telas #Mais Saúde – Atualização 2024, que reúne orientações para famílias e educadores.
A leitura também mora no Mesc
E nem sempre é preciso comprar um livro para começar.
O Mesc conta com uma biblioteca à disposição dos associados, um espaço que pode ser aproveitado por famílias que desejam incentivar o hábito da leitura entre crianças e adolescentes.
Neste Dia das Crianças, o convite é simples: desligue um pouco a tela, abra um livro e abra espaço para a imaginação.
Porque uma infância saudável também é feita de histórias contadas no colo, páginas viradas, brincadeiras inventadas e descobertas compartilhadas.
Neste 12 de outubro, que tal presentear uma criança com algo que não precisa de bateria, Wi-Fi ou carregador: uma boa história?




